Worst Girl In America (2026, Records / Columbia) é uma obra de excessos. Terceiro e mais recente álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana Slayyyter, o registro não apenas preserva a essência eufórica dos antigos trabalhos da norte-americana, como vai além.
Com Dance como música de abertura do disco, Slayyyter revela parte dos elementos que serão explorados ao longo da obra. Enquanto os versos detalham o sentimento de libertação após um relacionamento tóxico, batidas destacadas e sintetizadores ascendentes trazem de volta a mesma atmosfera eufórica que marca os primeiros trabalhos de artistas como Justice e SebastiAn.
Direções Musicais Diversas
A partir desse ponto, cada nova composição leva o álbum para uma direção diferente. Em Beat Up Chanels, são sintetizadores frenéticos e batidas que conduzem o ouvinte em direção às pistas. Minutos à frente, em Gas Station, melodias estilizadas fazem lembrar o som torto do Crystal Castles.
Já em Old Technology, é a letra hedonista e a produção exagerada, típica do hyperpop, que orienta o trabalho da artista em estúdio.
Controle Criativo e Vulnerabilidade
Embora parta de uma abordagem deliciosamente exagerada, Slayyyter nunca perde o controle da própria criação. Do uso das vozes, sempre marcadas pelo auto-tune, passando pela construção das batidas e até a escolha dos timbres dos sintetizadores, perceba como tudo orbita um mesmo universo criativo.
Outro elemento bastante característico do trabalho de Slayyyter em Worst Girl In America diz respeito aos momentos de maior vulnerabilidade da cantora. Mesmo marcado pelo direcionamento festivo, o registro nunca deixa de dialogar com o ouvinte por meio dos sentimentos.
Identidade Criativa
Dessa forma, mesmo que seja possível criar paralelos entre a obra de Slayyyter e outros nomes recentes da música pop, principalmente Charli XCX durante a era Brat (2024), prevalece em Worst Girl In America a identidade criativa da estadunidense.
Não se trata de algo exatamente novo, afinal, ecos de outros artistas podem ser percebidos durante toda a execução do álbum. A diferença é que, pela primeira vez, a cantora parece capaz de organizar suas ideias, fazendo dessa propositada desordem um estímulo para o material.
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