O grande acerto de Syd ao se aventurar em carreira solo sempre foi o acabamento minimalista alinhado ao lirismo confessional que expôs as vivências da artista como uma mulher lésbica. Ainda que tenha desviado parcialmente desse percurso durante a produção de Broken Hearts Club (2022), a artista retorna de forma renovada ao mesmo território criativo apresentado em Fin (2017) com as canções do maduro Beard (2026).
Maturidade Emocional e Temática do Amor
A diferença em relação ao presente disco e o primeiro passo longe dos parceiros de banda no The Internet está na maturidade emocional de Syd. Se em Fin a artista mergulhava no próprio processo de descoberta sexual e em temas existenciais, em Beard ela sabe exatamente quem é. “Talvez eu tenha amadurecido, mas ainda sou eu”, confessa logo nos momentos iniciais, em Walls, música que aponta caminhos para o trabalho.
Colaborações e Influências
Influenciado pelo recente casamento de Syd com a modelo Ariana Simone, Beard mergulha na temática do amor, relacionamentos e crescimento emocional a partir de uma perspectiva não idealizada. São canções que se aprofundam em experiências cotidianas e na relação a dois em uma abordagem quase documental, com cenas do dia a dia, momentos íntimos e diálogos ao pé do ouvido transportados para dentro do disco.
A Colaboração como Elemento Central
Embora parta de uma proposta bastante intimista, curioso perceber Beard como a obra mais colaborativa de Syd. Enquanto a produção do disco se abre para nomes como Raphael Saadiq, parceiros como Blu June, na música Callin, o rapper Big Sean, em GMFU, e James Fauntleroy, na delicada Any Time, engrandecem o disco. Nada que diminua o impacto de faixas assumidas apenas por Syd, como a derradeira 2 Many Days.
Explorando Novos Horizontes Musicais
Essa mesma pluralidade acaba se refletindo na própria base instrumental do disco. Sem necessariamente corromper o minimalismo do material, Syd se permite transitar por territórios ainda inexplorados em suas criações. Em Jasmin 17, por exemplo, são os ritmos afro-latinos que se conectam ao habitual R&B da artista. Já em My Love, minutos à frente, é o diálogo com a bossa nova que potencializa o romantismo dos versos.
Conclusão: A Arte de Transformar o Cotidiano
Ainda que esse esforço em ampliar os próprios horizontes seja incapaz de garantir mudanças realmente significativas ao trabalho de Syd, o sempre meticuloso processo criativo e entrega sentimental da cantora compensam. A cada nova composição do disco, a artista transforma fragmentos simples do cotidiano em canções preciosas, como momentos tão íntimos e particulares que passam a pertencer ao próprio ouvinte.
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