Crítica | Charli XCX: “Music, Fashion, Film”

Mesmo dona de um repertório abrangente, colaborações com artistas vindos dos mais variados campos da música e uma carreira que se estende desde o final dos anos 2000, Charli XCX alcançou um novo estágio na própria trajetória quando revelou ao mundo Brat (2024). Da imagem de capa amplamente replicada ao enorme sucesso comercial e de crítica, nunca antes a cantora e compositora inglesa teve tanta repercussão.

Reflexões Artísticas em Music, Fashion, Film

Vem justamente desse sentimento de estafa e das reflexões sobre o próprio fazer artístico o estímulo para o repertório de Music, Fashion, Film (2026, Atlantic). Resultado da parceria entre a cantora e os produtores A. G. Cook e Finn Keane, o álbum acerta ao romper laços com o disco anterior. São faixas que continuam a orbitar o universo particular da artista, exigindo conhecimento prévio do ouvinte, mas nunca inacessíveis.

A Nova Abordagem Musical

Longe das pistas, a cantora encontra no rock as bases para o trabalho. Em geral, são canções minimalistas, curtas e emergenciais, como uma extensão menos comercial daquilo que a artista havia testado em Sucker (2014). A própria escolha em inaugurar o registro com Rock Music funciona como uma boa representação desse resultado. É como se toda a expectativa em relação ao material anterior fosse bruscamente rompida.

Confessionais e Viscerais

Ainda que muitas dessas canções partilhem de estruturas extremamente básicas, como em Card Declined, 2007 e Yeah, a britânica compensa com a entrega de músicas profundamente confessionais e viscerais. É o caso de Camera, faixa que se aprofunda na tensão entre identidade e performance, com Charli reforçando a ideia de que sua personalidade artística e fora dos palcos se tornaram inseparáveis.

Intersecções Entre Vida e Arte

Nesse sentido, difícil não pensar em Music, Fashion, Film como uma extensão do mocumentário O Momento (2025), de Aidan Zamiri, trabalho centrado em experiências pessoais da cantora e na turbulência gerada a partir do sucesso de Brat. Mais do que um exercício expositivo, o registro destaca a essência inquietante da artista, revelando faixas que equilibram vulnerabilidade com versos que destacam a consciência de Charli.

Contraste e Acessibilidade

Claro que essa abordagem contemplativa, explícita em composições como SS26 e I’m Afraid, não interfere na produção de faixas como a pegajosa Wink Wink e Magic Metal Montana, destacando o lado acessível do trabalho. São estruturas contrastantes, por vezes incompatíveis, porém consistentes com o esforço genuíno de Charli em tensionar os limites da música pop e borrar as fronteiras entre a vida pessoal e a própria arte.

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Fonte: https://musicainstantanea.com.br