Fantasmagórica, a imagem de capa de The Ground Above (20126, Partisan), novo álbum de Beth Orton, diz muito sobre aquilo que a cantora e compositora inglesa busca desenvolver ao longo do trabalho. São faixas marcadas pela atmosfera soturna e o gradativo avanço dos arranjos, estruturas rítmicas e vozes espectrais. Um lento desvendar de sensações que, pouco a pouco, captura a atenção, encanta e se apodera do ouvinte.
Continuidade e Evolução
Sequência ao material entregue em Weather Alive (2022), o registro segue de onde Orton parou há quatro anos, com suas composições espaçadas e contemplativas, porém ganha novas tonalidades. Enquanto a voz, debilitada por conta de uma série de problemas de saúde, detalha versos que tratam sobre envelhecer e a relação com a morte, arranjos elaborados garantem ainda mais profundidade ao fino repertório da artista.
A Faixa-Título e sua Estrutura
A própria faixa-título, posicionada logo na abertura do disco, funciona como uma boa representação desse resultado. Em um intervalo de oito minutos, perceba como a artista e seus parceiros em estúdio apresentam e desenvolvem cada instrumento em uma medida sempre particular de tempo. Dos pianos à linha de baixo, das guitarras ao lento acréscimo dos metais, cada mínimo componente se projeta com requinte e destaque.
Temas e Emoções
Embora parta de uma abordagem inicialmente sombria, mergulhando em temas sensíveis para Orton, The Ground Above chama a atenção pela riqueza de ideias e os diferentes percursos explorados pela artista ao longo do material. Em Wainting, por exemplo, a dor dá lugar ao acolhimento, com a cantora transitando em meio a versos agridoces e intimistas.
Mensagens de Esperança
“Esperando o momento certo chegar / Para vestir minha melhor roupa novamente / Para ouvir uma música favorita / E encontrar o caminho de volta para o seu amor”, confessa. É como se Orton, mesmo dona de um extenso repertório e obras fundamentais como Trailer Park (1996) e Central Reservation (1999), pela primeira vez se revelasse por completo.
Uma Obra que Exige e Gratifica
Toda essa multiplicidade de sentimentos garante a execução de uma obra que gratifica na mesma medida que exige do ouvinte. As composições nem sempre são as mais imediatas e o ritmo calculado talvez afaste os apressados, mas a forte carga emocional depositada por Orton compensa. Da construção dos arranjos à formação dos versos, poucas vezes antes a artista inglesa pareceu entregue quanto em The Ground Above.
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