Crítica do Álbum ‘Solar’ da Mombojó: Um Retorno Brilhante

Orientado pelo espírito pós-pandêmico de botar a cara no sol, sair de casa e criar conexões, Solar (2026, Independente) marca o retorno entusiasmado da Mombojó. Primeiro disco de inéditas da banda em seis anos, o sucessor de Deságua (2020) é, ao mesmo tempo, um fino exercício de reapresentação do quinteto pernambucano que contabiliza mais de duas décadas de carreira e o princípio de uma nova fase artística.

A Essência Musical da Mombojó

Como indicado logo na introdutória Quero Amanhecer, o grupo formado por Felipe S., Chiquinho, Marcelo Machado, Missionário José e Vicente Machado faz o que sabe de melhor. São composições marcadas pela colorida combinação de estilos, inesperadas mudanças de ritmos e versos que alternam entre o cotidiano, o existencial e o emocional de forma sempre acessível, reforçando a relação da banda com a música pop.

Colaborações e Novas Influências

A diferença está na forma como a Mombojó amplia o diálogo com diferentes parceiros criativos. Se antes o grupo autorizava entradas pontuais, como Céu e Tom Zé, em Homem-Espuma (2006), hoje, boa parte das composições é entrecortada pela relação com novos e antigos colaboradores. É o caso de Laetitia Sadier, que invade a enérgica Sob o Vento Forte.

Adaptação e Identidade

O mais fascinante talvez seja perceber a maneira como o grupo se adapta ao som de cada convidado sem necessariamente perder a própria identidade. Em Abaixo a Realidade, por exemplo, é o synthpop funkeado de Letrux que invade o trabalho. Já na faixa Em Cima da Areia, acompanhada pelo trombonista e mestre de maracatu Naílson Vieira, fascina a inserção da ciranda e o diálogo com a música popular pernambucana.

Faixas de Destaque

Nada que prejudique a entrega de faixas assumidas em essência pelo quinteto. É o caso de Mergulhando no Mar, composição que incorpora alguns dos principais elementos da banda, como a relação com o samba e a música eletrônica, revelando nos versos um convite a se jogar de cabeça no mar. Minutos à frente, em É o Poder da Dança, floresce o lado radiofônico do grupo em uma criação de natureza melódica e inescapável.

Considerações Finais

Embora marcado pela fluidez e a fina combinação de forças, Solar amarga um fechamento desequilibrado. Enquanto Em Plena Sexta-Feira praticamente anula a banda e aponta os holofotes para o MC Lucas Afonso, Canudos de Luz, com Sofia Freire, Hervé Salters e Domenico Lancellotti, pontua a obra de forma inesperada e anticlimática. É como um pôr-do-sol talvez consistente com o objeto temático do trabalho, mas precipitado após tantos anos de espera pelo novo disco de um grupo que sempre merece algumas horas a mais de sol.

Precisa de serviços relacionados a música? Entre em contato agora mesmo com nossa equipe contato ou fale direto comigo Domlean!

Fonte: https://musicainstantanea.com.br