Crítica do Álbum Ö de Fcukers

Convidados a abrir shows de nomes como Tame Impala, LCD Soundsystem e Justice, Jackson Walker Lewis e Shanny Wise buscam transportar a mesma energia explícita em cima dos palcos para o primeiro álbum de estúdio do Fcukers, Ö (2026, Ninja Tune). Coproduzida em parceria com Kenneth Blume, o Kenny Beats, a obra destaca a relação do duo com as pistas, porém peca pela nostalgia excessiva e pequenas repetições.

Faixas e Estilo

Salvo exceções, como TTYGF, composição que aproxima a dupla nova-iorquina do dub, Ö se estabelece na elaboração de faixas bastante similares. São canções que apontam para a cena eletrônica dos anos 1990 e 2000, detalhando o uso de bases cíclicas que se abrem para a voz sussurrada de Wise. A própria música de abertura do registro, Backbeat, funciona como uma síntese de tudo aquilo que o duo busca desenvolver.

Influências e Direcionamento

A questão é que, enquanto Bassvictim, Debby Friday e outros projetos recentes parecem inspirados pela já desgastada estética indie sleaze e electropop de artistas como Crystal Castles, Lewis e Wise vão além. São ecos de Basement Jaxx, Groove Armada e outros nomes que movimentaram a cena britânica na virada do século. Perfeita representação desse direcionamento criativo pode ser percebida na inescapável Play Me.

Elementos Destacados

Originalmente lançada em julho do último ano, a faixa concentra o que há de mais interessante no som da dupla, como os elementos de drum and bass, vozes complementares e batidas imprevisíveis. Entretanto, é na combinação de versos cíclicos e estruturas calculadas que o álbum se sustenta. Canções como L.U.C.K.Y e If You Wanna Party, Come Over To My House que, mesmo previsíveis, conseguem hipnotizar o ouvinte.

Repetição e Rítmica

Sétima faixa do disco, I Like It Like That sintetiza isso de maneira bastante eficiente. São pouco mais de dois minutos em que a intencional repetição dos versos funciona como um componente rítmico, fortalecendo as bases da canção que ainda evoca M.I.A. ao incorporar elementos de reggae. A própria Butterflies, logo nos minutos iniciais do trabalho, antecipa uma série de conceitos que serão aprofundados pelos dois artistas.

Considerações Finais

Embora eficiente na maior parte do tempo, a reduzida combinação de estilos e a queda de qualidade após TTYGF tornam o fechamento do álbum pouco satisfatório. Nem Lonely, com seus elementos de Miami Bass, dá conta de sustentar os momentos finais do registro. É como se Lewis e Wise concentrassem o que há de melhor na porção inicial da obra, proposta que garante ao público um disco divertido, mas desequilibrado.

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Fonte: https://musicainstantanea.com.br