Crítica | Avalon Emerson & The Charm: “Written Into Changes”

Quando se aventura pelas pistas, Avalon Emerson é uma artista; quando se encontra com os membros da banda The Charm, é outra. E isso fica ainda mais evidente com a chegada do mágico Written Into Changes (2026, Dead Oceans), álbum que destaca o trabalho da norte-americana como compositora e ainda amplia os horizontes de possibilidades em relação ao material entregue no homônimo disco revelado há três anos.

Sequência ao ainda recente Perpetual Emotion Machine (2025), projeto em que voltou a estreitar laços com as pistas, Written into Changes traz de volta o que há de mais característico no trabalho de Emerson e seus companheiros de banda. São faixas que atravessam o pop dos anos 1980, trazem de volta os temas etéreos de nomes como Cocteau Twins e ainda incorporam bases dançantes que evocam o estilo do Saint Etienne.

Não por acaso, Emerson fez de Eden a primeira composição do disco a ser revelada ao público. Enquanto os versos tratam sobre a tentativa de reconstruir um relacionamento após erros e distanciamentos, o uso de uma linha de baixo suculenta e melodias que lembram Tom’s Diner, de Suzanne Vega, revelam a habilidade da musicista em combinar diferentes componentes criativos, ritmos e ideias dentro de uma única canção.

É como se Emerson transportasse para dentro de estúdio a mesma lógica de suas discotecagens, revelando composições e estruturas que, mesmo contrastantes, mantêm o equilíbrio, a fluidez e o ritmo durante toda a execução do material. Dessa forma, é possível que faixas como God Damn (Finito), com seus sintetizadores funkeados, e Country Mouse, um jangle pop que cheira a nomes como The Smiths, convivam pacificamente.

Entretanto, o grande charme de Written Into Changes não está nessa diversificada combinação de estilos, mas no amadurecimento poético de Emerson. São canções como Happy Birthday e Jupiter and Mars que usam imagens específicas e até referências mitológicas para tratar de conflitos sentimentais. Um precioso exercício de transformação emocional que orienta a experiência do ouvinte até os minutos finais do disco.

Dessa forma, mesmo quando resgata estruturas bastante características do trabalho anterior, como o pop psicodélico da faixa-título e o som empoeirado dos coprodutores Rostam e Bullion, há sempre um elemento poético que tinge com ineditismo o material. Composições que orbitam um mesmo universo criativo, mas acabam encontrando pequenas frestas e respiros que levam Written Into Changes para diferentes direções.

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Fonte: https://musicainstantanea.com.br