Silva Abre o Jogo Sobre Dinheiro na Música: “Não é Como Pensam”

Angustiados, frustrados, endividados e deprimidos: esses adjetivos costumam ser usados pela imprensa para retratar a geração millennial. Nascidos entre 1981 e 1996 se ressentem por terem estudado e perseguido os sonhos, mas não terem carro e casa própria.

O cantor Silva, de 37 anos, é um caso de sucesso, com o lançamento de seu oitavo álbum de estúdio, “Rolidei”. Ele tem carro, casa e seu próprio estúdio. Mas também demorou para “chegar lá”.

“Quem ganha dinheiro é o mercado pop, pop, pop. De rasgar dinheiro, né? Hoje eu tenho uma vida financeira muito boa. Tenho estúdio. Tudo que posso comprar de música, compro. O que mais gasto é em instrumento. Não em looks. Você nunca vai me ver usando Prada da cabeça aos pés. O meu investimento é em música”, conta o capixaba.

A Virada Financeira de Silva

A virada financeira se deu quando Silva conscientemente quis se tornar mais popular, não de olho em dinheiro, mas em conexão com as pessoas. Ele fez uma viagem a Tóquio e tudo mudou.

“Voltei totalmente desacreditado deste indie querido pelos jornalistas”, diz no documentário. “Eu gosto de música feliz. Detesto ficar empurrando meu tédio para cima das pessoas”, explica ao POPline.

A aproximação com o mainstream culminou com o “Bloco do Silva” em 2019. Começou como uma brincadeira e se tornou uma máquina de dinheiro.

O Impacto do Bloco do Silva

A primeira edição, no Cine Joia em São Paulo, lotou rapidamente, na esteira da turnê do álbum “Brasileiro” (2018). Em apenas uma noite, o evento esgotou o estoque de bebida da casa para uma semana. O bloco virou turnê e um projeto anual.

“Se eu fosse oportunista, o Bloco me deu dinheiro que eu nunca tinha visto na vida. Eu poderia entrar nessa, jogar o ‘game’, deixar o que sinto como artista de lado, e só pensar em dinheiro”, pontua Silva.

Recusa ao Jogo do Mercado

Silva mostrou receio do que teria que fazer para se tornar mais popular. Em 2016, ele expressou: “Rola todo um jogo, que não sei se tenho muito talento para jogar”.

Dez anos depois, admite que fez concessões, mas puxou o freio. “O Bloco dava muito mais dinheiro do que meus shows. Comecei a ficar preocupado. Queria ganhar dinheiro com minha música.”

Relação com o Dinheiro

Silva furou bolhas e entrou no line-up de grandes festivais. São quase um bilhão de streams só no Spotify. Ele está atento ao caminho que escolheu, evitando se perder em fórmulas repetitivas.

“Quando estava naquela época de turbilhão, falei para um amigo conhecido no mercado, o [Pedro] Tourinho: ‘Fico com medo de ganhar muito dinheiro e me perder e virar outra pessoa’”, conclui.

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Fonte: https://portalpopline.com.br